Dois movimentos ganharam tração em 2025 e devem se cruzar decisivamente em 2026: a aceleração da medição inteligente na baixa tensão e o avanço do Open Energy. Isoladamente, já são transformadores. Juntos, redefinem a infraestrutura de dados do setor elétrico.

No smart metering, a Consulta Pública nº 198/2025 do MME colocou em debate diretrizes para implantação no curto prazo, funcionalidades mínimas, titularidade e formas de financiamento, além de parâmetros para análises de custo-benefício que orientem a expansão no médio e longo prazo. Entre os sinais de escala, discute-se a instalação adicional em 4% das unidades consumidoras nas áreas de concessão. Isso é muito mais do que “trocar medidor”: é multiplicar leituras, alarmes, cortes/religamentos, exceções e validações em escala, com impacto direto em processos de medição, perdas, faturamento e atendimento.

Aqui entra um ponto decisivo: interoperabilidade. Se cada onda de instalação ou piloto cria seu próprio modelo de dados, sua própria integração e suas próprias regras de validação, o resultado são ilhas tecnológicas, reconciliações manuais e auditorias difíceis. Em baixa tensão, onde o volume é o jogo, ilhas viram OPEX. Por isso, o rollout de AMI tende a exigir, desde o início, uma arquitetura preparada para ambiente multi-fornecedor: plataformas de MDC/MDM com interfaces bem definidas, governança de dados, observabilidade, automação de processos de VEE (Validação, Estimativas e Edição), para integrar tecnologias diferentes sem perder consistência nem velocidade.

Em paralelo, a ANEEL está avançando com a proposta de instituição do Open Energy (CP nº 07/2025), criando regras para que consumidores tenham acesso aos seus dados e possam compartilhá-los com terceiros por meio de APIs padronizadas. A lógica muda: não basta ter a informação, é preciso disponibilizá-la com rastreabilidade, segurança e consentimento claro. Isso reduz atritos na migração para o ACL, fortalece a concorrência e amplia o uso dos dados no ecossistema.

A convergência dos dois movimentos é inevitável. Smart meters aumentam a granularidade e a frequência dos dados; o Open Energy amplia sua portabilidade e valor. Entre o medidor e a API, emerge uma cadeia crítica — que deve ser tratada como tal: com padrões, automação, interoperabilidade e governança. Esse é o novo imperativo. Para as distribuidoras, 2026 exige foco em ações “no regret”, independentemente do desenho final das normas:

  • tratar a arquitetura de dados como plataforma, não apenas como projeto;
  • automatizar processos de VEE para suportar volume e diversidade;
  • padronizar integrações e evitar soluções ponto a ponto;
  • incorporar segurança e consentimento desde o desenho das interfaces;
  • garantir rastreabilidade: entender “o que aconteceu” e “por quê” em cada etapa.

Por isso, a Way2 definiu como prioridades estratégicas para 2026 ampliar capacidades e soluções que sustentem tantoo rollout de smart meters na baixa tensão quanto a adequação dos agentes ao desenho de Open Energy a ser implementado no Brasil. Vamos colocar a serviço de plataformas interoperáveis e escaláveis toda nossa experiência de mais de 20 anos com dados de medição e compliance regulatório — especialmente no contexto CCEE — operando fluxos entre campo, sistemas corporativos e processos de mercado. Essa bagagem é valiosa porque o Open Energy tende a demandar infraestrutura confiável para orquestrar padrões, consentimentos e integrações; e o smart metering pede interoperabilidade, escalabilidade e performance para que os ganhos potenciais se materializem.

A Plataforma Integrada de Medição (PIM) e o Integraflow são exemplos concretos de como traduzir requisitos regulatórios em soluções robustas, com disponibilidade, flexibilidade e aderência às novas APIs do setor. Temos direcionado investimentos e evolução de produto para fortalecer capacidades como interoperabilidade multi-fornecedor, automação de VEE, rastreabilidade e integração segura — pilares indispensáveis tanto para a expansão de smart metering quanto para o compartilhamento padronizado de dados que o Open Energy pretende viabilizar.

Nosso histórico mostra que a digitalização de verdade não se faz com peças isoladas. Ela se constrói com plataformas integradas, padrões consistentes e execução confiável. O desafio de digitalização da baixa tensão não será superado apenas instalando medidores inteligentes, em maior quantidade e mais rápido, e sim operando — e interoperando — melhor.