A Portaria 126/2026 fixou ritmo mínimo de digitalização: 2% das unidades consumidoras por ano com medidor inteligente, com prazo de 24 meses a partir de março de 2026. Isso empurra o setor para a casa de 1,8 milhão de novos pontos por ano (escala industrial, não piloto). O parque tende a ser misto: mais de um fabricante, mais de um meio de rádio e, na mesma concessionária, combinação de redes. O desafio deixa de ser só “qual canal” e passa a ser como manter qualidade de dado, prazo regulatório e comando (corte, religamento, parametrização) quando cada trecho do território resolve conectividade de um jeito.

Performance e cobertura: o que cada rede entrega na prática
Quatro famílias concentram hoje a discussão de AMI na BT, cada uma com compromisso distinto de cobertura, custo, latência e capex de infra.
Wi-SUN (RF Mesh)
Baseada no padrão aberto IEEE 802.15.4g, a Wi-SUN forma redes mesh auto-healing onde cada medidor pode retransmitir dados dos vizinhos. Opera em 900 MHz (faixa não licenciada no Brasil), alcança até 2,4 Mbps na especificação FAN 1.1 e suporta bidirecionalidade nativa, essencial para comandos como corte e religamento. Projetos em 450 MHz aparecem no Brasil como LTE privado complementar.
O preço disso: capex de concentradores, roteadores e gateways; planejamento de rede exigente; latência oscila em malha densa com vários saltos.
NB-IoT
Tecnologia celular LPWAN do 3GPP, otimizada para dispositivos estacionários que enviam pequenos pacotes de dados. Onde o NB-IoT mais ajuda é penetração: sensibilidade da ordem de -127 dBm, útil em subsolo, caixa metálica e sombra de RF.
No Brasil, a TIM lidera o NB-IoT com cobertura em mais de 5.100 municípios (98,7% da população). A Vivo cobre 4.086 municípios. A Claro, por sua vez, concentrou seu foco em Cat-M, onde lidera com 4.631 municípios (96,6% da população), e tem presença significativamente menor em NB-IoT
NB-IoT ainda é descrito como “uplink-first”, e no Release 13 (2016) funcionava desta forma. Das releases 14 a 17 do 3GPP entraram melhorias de downlink e sinalização (EDT no R15; multicast no R17 para comando em massa). Na rua, o ganho real depende de rede, modem, política da operadora, eDRX e PSM. Medidor alimentado pela rede (caso típico do Grupo B) pode usar eDRX curto (segundos) e receber corte/religa na faixa de segundos a dezenas de segundos quando tudo alinha; isso cobre o pacote obrigatório da Portaria 126/2026.
Cat-M (LTE-M)
Também celular LPWAN, com throughput de até 1 Mbps e latência tipicamente abaixo de 200 ms. Para AMI, o ganho frente ao NB-IoT costuma ser mais vazão, latência menor que no NB-IoT típico, o que facilita enviar pacotes grandes de atualização pela rede
No Brasil, a TIM lidera com cobertura em mais de 5.100 municípios (98,7% da população). A Vivo cobre 4.086 municípios. A Claro, por outro lado, cobre apenas 46 municípios em NB-IoT.
A limitação que permanece relevante: Cat-M falha em sinais abaixo de -113 dBm, exatamente onde NB-IoT ainda funciona (-127 dBm). Caixas de medição enterradas ou com muita blindagem metálica podem ficar sem cobertura Cat-M, mas funcionar com NB-IoT.
PLC (Power Line Communication)
Usa a própria rede elétrica como meio de comunicação. Foi uma das bases de vários dos maiores rollouts da primeira onda europeia: Iberdrola implantou PRIME em 10,7 milhões de medidores na Espanha e a Enel cobriu 36,7 milhões na Itália com PLC na 1ª geração; outros países (como o Reino Unido e vários nórdicos) priorizaram desde cedo celular ou RF em vez de PLC como eixo principal.
No Brasil, a relevância direta do PLC como tecnologia principal em novos grandes projetos costuma ser menor. O ponto que importa aqui: GD e inversores podem degradar o canal PLC (ruído na rede elétrica interfere a comunicação). Com GD acelerando no país, vale carregar esse risco no estudo por área.

A assimetria de operadoras e o que ela realmente significa
NB-IoT e Cat-M têm operadoras-líderes invertidas no Brasil: TIM forte em NB-IoT, sem Cat-M; Claro forte em Cat-M, com NB-IoT residual. Parece armadilha para quem quer “ter as duas” no mesmo contrato, só que, para a lista da Portaria 126, o desenho costuma escolher um perfil LPWAN por região, não exigir as duas em todo ponto.
Com as evoluções do NB-IoT nas releases 14 a 17 do 3GPP, ambas as tecnologias suportam as funcionalidades obrigatórias da Portaria 126/2026, incluindo comandos bidirecionais como corte e religamento. A diferença prática entre elas se reduz a dois pontos: latência (Cat-M: sub-200 ms; NB-IoT: segundos) e penetração de sinal (NB-IoT: -127 dBm; Cat-M: -113 dBm).
O histórico internacional é empate técnico por país. A China implantou 80 milhões de medidores NB-IoT em um único ano (62% dos 128 milhões de smart meters despachados em 2024 usam NB-IoT), enquanto os EUA consolidaram o mercado em LTE-M, e a AT&T chegou a descontinuar o NB-IoT em novembro de 2024, migrando clientes para LTE-M. A Europa está fragmentada entre PLC, celular e wireless, dependendo do país. No Brasil, distribuidoras já operam com Wi-SUN, NB-IoT e Cat-M.
A tendência multi-tecnologia é reforçada pelos próprios fabricantes, isso significa que a distribuidora pode ter medidores do mesmo fabricante com redes de comunicação diferentes dependendo da região.
A pergunta para as distribuidoras não é “qual tecnologia escolher”, e sim “quem vai garantir que todas funcionem juntas”.
Arquitetura multi-rede e o desafio da cobertura total.
Nenhum mercado maduro de AMI ficou monocanal para sempre. Substituição de geração de rede, segunda leva de medidores e densidade urbana diferente empurram para modelo híbrido.
No Brasil, o cenário que está se desenhando para o Grupo B será algo como:
- Área urbana densa: Wi-SUN mesh (controle próprio da distribuidora) ou NB-IoT (escala via operadora)
- Área urbana normal: NB-IoT ou Cat-M (custo-benefício otimizado)
- Área rural ou remota: NB-IoT (penetração) ou satélite (último recurso)
- Área industrial: Cat-M onde houver sinal robusto; NB-IoT onde penetração for crítica ou Ethernet/fibra
- Contingência: Leitura local ou GPRS
Para um país continental, múltiplos meios não são “falta de padrão”, são resposta a densidade e telecom diferentes em cada macrorregião.
O gargalo deixa de ser só escolher rádio: é quem normaliza e entrega dado de Wi-SUN em Salvador, NB-IoT no interior de Minas e Cat-M em São Paulo no mesmo formato, com confiabilidade e prazo de faturamento.
Como a Way2 atua entre o medidor e os sistemas de negócio
Medidor e faturamento são polos conhecidos; o atrito costuma estar no meio: coleta, normalização, integração e governança de dados.
Imagine diversos fabricantes no mesmo parque, com Wi-SUN, NB-IoT e Cat-M misturados. O Coletor da Way2 negocia DLMS/COSEM (ou ABNT) com driver por fabricante, modelo e firmware, enfileira sessão e retry por perfil de rede, e sobe leitura já normalizada para a Plataforma Integrada de Medição (PIM) ou MDM, sem empurrar peculiaridade de OBIS ou segurança para cima.
Com mercado livre na BT, o mesmo conjunto de medição atende distribuidora, comercializador, CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e consumidor em formatos e prazos diferentes. O PIM trata versionamento, rastreio e publicação com trilha de auditoria. A Way2 já roda este modelo para gestão da medição no grupo A. Agora o investimento está em deixar escalável para lidar com o volume da Baixa Tensão.
Sabemos que instabilidades de sinal são uma variável real da operação em campo; a CCEE não deixa de receber o dado por causa disso: recebe o dado medido ou estimado, porém defensável Estimativas com rastreabilidade fecham a conta entre obrigação e operação.

Onde a Way2 está investindo (síntese para o Grupo B)
Três frentes se reforçam mutuamente, alinhadas ao que o rollout em escala exige na prática:
- Escala e disciplina de fila: otimização de processos (comandos, auditoria, carga, service discovery, APIs); integração PIM–coletor (timeout, deduplicação de pedidos, coletores em paralelo); Data-Out 2.0, jobs, telas agrupadas para parques Grupo B, segurança, criptografia e governança de dados sensíveis.
- Grupo B (integração de campo): novos drivers de medidores inteligentes (medidores e NIC); leituras PUSH e eventos (por exemplo last gasp); atualização de firmware; monitoramento de perdas;
- Resiliência e parque misto: contingência com integração a coletores de mercado e app móvel;
Sem perder de foco a convivência entre BT em escala, clientes livres e sistemas legados.
Nenhum item isolado “fecha” o Grupo B; em conjunto, o pacote endereça fila, desempenho, drivers, redes mesh/celular, observabilidade, contingência e barreira de ataque na camada do meio.
Janela de oportunidade e próximo passo
O ritmo da Portaria 126/2026 não espera a maturidade perfeita de cada fornecedor. Quem atrasar a camada do meio (coleta, normalização, interoperabilidade e governança) arrisca transformar heterogeneidade inevitável em OPEX de reconciliação, atraso regulatório e, mais à frente, uma segunda onda de correção de alto custo, como já viram Itália, Reino Unido e Holanda em contextos distintos.
A janela é agora, no desenho de arquitetura e de compra: fallback como decisão de hardware onde aplicável, catálogo de drivers e fila dimensionada para milhões de pontos, e PIM como trilha de governança para multi-agente.
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