O que mudou com a nova metodologia da CCEE
Desde maio de 2026, as estimativas automáticas da CCEE passaram a ser aplicadas diretamente no SCDE (Sistema de Coleta de Dados de Energia). A mudança representa um importante avanço para o setor, tornando o processo de contabilização mais ágil e automatizado.
Mas essa evolução traz uma pergunta importante: quando a estimativa automática representa fielmente o comportamento real da medição?
Quando a automação precisa de validação técnica
Na Way2, acompanhamos diariamente a operação de milhares de pontos de medição e, desde a entrada em vigor da nova metodologia, incorporamos a análise das estimativas automáticas ao nosso processo de monitoramento técnico. Nosso objetivo é garantir que os dados utilizados na contabilização representem, de fato, o comportamento elétrico observado em campo.
A metodologia adotada pela CCEE foi desenvolvida para garantir a continuidade da contabilização quando determinadas situações impedem a utilização direta dos dados medidos. Trata-se de uma evolução importante para o mercado, que reduz atividades operacionais e aumenta a disponibilidade das informações utilizadas no processo de contabilização, além de impactar diretamente a gestão do SMF.
No entanto, como acontece com qualquer processo automatizado baseado em regras, existem cenários em que a validação técnica continua sendo fundamental.
O que os dados de dois meses de acompanhamento revelam
Essa necessidade de validação não é apenas teórica. Nos dois primeiros meses de acompanhamento da nova metodologia, nossa equipe analisou 245 pontos de medição com estimativas, avaliando mais de 9 mil horas estimadas produzidas pelo SCDE. Desses pontos, 112 precisaram de ajustes de medição: seja porque a estimativa automática precisou ser substituída pelos dados originalmente medidos no SMF, seja porque a correção aplicada não foi suficiente para representar integralmente a condição observada na operação.
Em outras palavras, quase metade dos pontos analisados exigiu uma atuação técnica da Way2 para garantir que o dado utilizado na contabilização refletisse corretamente a realidade operacional.
Fonte: análise técnica Way2 — way2.com.br
Esse resultado não significa que a metodologia da CCEE esteja incorreta. O que os números demonstram é que, por ser um mecanismo baseado em regras padronizadas, persistem situações em que análise individualizada e experiência técnica são determinantes para diagnosticar e ajustar corretamente o comportamento da medição.
Ao longo desses primeiros meses, nossa equipe identificou esses cenários em diferentes agentes, tecnologias de medição e tipos de empreendimento. Esse aprendizado é incorporado continuamente ao Módulo de Estimativas Automáticas do PIM, o que tem permitido antecipar situações que, muitas vezes, só seriam percebidas após o fechamento da contabilização.
Como a Way2 analisa cada estimativa aplicada
É justamente nesse ponto que a experiência operacional faz diferença.
Mais do que verificar se uma estimativa foi aplicada, nossa equipe analisa se ela representa corretamente a realidade operacional. Para isso, avaliamos o comportamento dos medidores, seu histórico operacional, as características da instalação e outros elementos que permitem compreender o contexto em que aquela estimativa foi produzida.
Essa abordagem permite identificar situações que exigem tratamento adicional e, ao mesmo tempo, reconhecer casos em que a estimativa aplicada está correta e não demanda qualquer intervenção. O resultado é um processo de validação que oferece mais segurança aos agentes e reduz o risco de que diferenças entre a estimativa automática e o comportamento real da instalação passem despercebidas, evitando riscos e penalidades na medição de energia.
Na prática: o que isso significa para quem opera pontos de medição
Para os clientes do Centro de Operação da Medição da Way2, essa análise já faz parte da rotina de acompanhamento da medição. Desde a implementação da nova funcionalidade pela CCEE, nossa equipe monitora continuamente os resultados produzidos pelo SCDE (saiba mais sobre a gestão de faturas e SCDE com a Way2) e incorpora essa avaliação ao processo técnico realizado antes do fechamento da contabilização.
Mais do que acompanhar mudanças regulatórias, acreditamos que nosso papel é transformar essas mudanças em segurança operacional para os clientes. Afinal, quando falamos em medição para o mercado de energia, a confiança nos dados continua sendo tão importante quanto a própria disponibilidade dessas informações.
A automação representa um avanço significativo para o setor, e entendemos que sua tendência é evoluir continuamente nos próximos anos. Nossa atuação acompanha essa evolução, combinando tecnologia, conhecimento regulatório e experiência prática para garantir que cada dado utilizado na contabilização reflita, da forma mais fiel possível, a realidade da operação.
“Automação reduz esforço operacional. Conhecimento técnico garante que o resultado esteja correto.”
Esse é o compromisso que assumimos diariamente com nossos clientes.
Se você gostaria de entender melhor como as estimativas automáticas da CCEE podem impactar os seus pontos de medição ou conhecer como esse acompanhamento é realizado na prática, nossa equipe está à disposição para conversar.
>> Leia também: o que mudou com as estimativas automáticas de medição e o que está em risco.