O dado de consumo não é neutro. Um registro associado a uma unidade consumidora, ou a um CNPJ, revela padrão operacional, sazonalidade de produção e, em alguns casos, indícios da saúde financeira de um negócio. Quando esse dado é tratado isoladamente, o risco é individual. Quando ele é processado dentro de uma plataforma que concentra informações de consumo de centenas de unidades consumidoras, pertencentes a dezenas de clientes diferentes, o risco muda de natureza: um incidente deixa de ser uma falha técnica pontual e passa a ser uma ruptura de confiança contratual com múltiplos clientes ao mesmo tempo. 

É esse segundo cenário, o de quem concentra, processa e movimenta dados de terceiros no setor elétrico, que queremos endereçar aqui. 

O que já está em vigor 

A conversa sobre segurança de dados no setor elétrico brasileiro não é hipotética e tem origem na base regulatória: 

  • REN ANEEL nº 964/2021: em vigor desde 1º de julho de 2022, estabelece diretrizes e conteúdo mínimo para as políticas de segurança cibernética dos agentes do setor elétrico, incluindo entidades responsáveis pela comercialização de energia; 
  • LGPD Lei nº 13.709/2019: aplica-se sempre que o dado de consumo puder ser associado a uma pessoa natural ou vinculado a informações que permitam identificação, o que inclui boa parte dos dados operacionais tratados no setor; 
  • Consulta Pública ANEEL nº 1/2026  2ª fase: em curso, com contribuições recebidas até 14/08/2026, trata dos requisitos mínimos para sistemas de medição inteligente, incluindo segurança cibernética e interoperabilidade. É um sinal claro de que a régua regulatória para dados de medição vai subir, não descer. 

Nenhuma dessas normas trata segurança como boa prática opcional. Tratam como obrigação de quem opera no setor. 

Por que o setor elétrico concentra risco 

O setor de energia é hoje o terceiro segmento mais visado por ataques cibernéticos no mundo, atrás apenas dos setores de finanças e dos órgãos governamentais.  No Brasil, dados divulgados pela imprensa dão a dimensão do problema: reportagens da revista Veja e do portal especializado SecurityLeaders mostram que entidades do setor elétrico brasileiro bloqueiam, juntas, centenas de milhões de tentativas de ataque por semestre, um volume que reforça a mesma leitura: múltiplas frentes de exposição, o mesmo setor. 

A razão é simples, infraestrutura crítica é um alvo de alto impacto e alta visibilidade. Um incidente no setor elétrico não fica restrito a uma empresa, ele se propaga pela cadeia de fornecimento, pelos clientes que dependem daquela operação, e eventualmente pela percepção pública sobre a confiabilidade do setor como um todo. 

O risco específico de concentrar dados de terceiros: 

Existe uma diferença relevante entre proteger os próprios dados e proteger os dados que múltiplos clientes confiaram a uma única plataforma. Quando uma gestora, comercializadora ou operadora de sistemas concentra em um único ambiente os dados de consumo de centenas de agentes diferentes, qualquer falha de segurança tem efeito proporcionalmente maior. O risco deixa de ser de um incidente isolado, passa a ser de vários incidentes simultâneos, um para cada cliente afetado. 

Isso muda a forma como segurança precisa ser tratada internamente. Não é mais um item de checklist técnico isolado da área de TI, é parte do contrato de confiança com quem depende daquela operação para continuar funcionando. 

Como pensamos essa arquitetura na prática: 

Quando o tema de segurança de dados é aprofundado, todos os sistemas técnicos que suportam as empresas da cadeia do setor elétrico precisam estar preparados para um estado de confiabilidade máxima. Na construção dos softwares, a segurança é traduzida em ações de arquitetura e desenvolvimento dos produtos digitais que minimizam o risco de exposição, vazamento e impactos de possíveis ataques. 

Dentro da lista de boas práticas aplicadas nos sistemas de medição e gestão de energia, destacam-se: 

  • Política de retenção de dados de unidades consumidoras segue exatamente as exigências regulatórias. Os dados são armazenados pelo tempo mínimo regulatório e com práticas de segurança de acesso de usuários e de rede, em casos de soluções On-premises; 
  • Severa gestão de acessos e cadastro de usuários, considerando a real necessidade de acesso, sendo revisitada de acordo com cada perfil, gerando bloqueios por inatividade e com controle de autenticação; 
  • Controle de logs e auditoria nos sistemas com o objetivo de permitir o rastreamento de ações e identificar possíveis pontos de falha de segurança; 
  • Em relação à criptografia, outra boa prática é criptografar informações sensíveis nas bases de dados. Já a comunicação entre serviços e clientes é protegida por criptografia em trânsito, por meio de certificados; 
  • Por último, e com maior destaque, considera-se muito relevante a incorporação ao ciclo de desenvolvimento o processo de SCA (Software Composition Analysis). A prática de segurança ainda é pouco adotada por empresas no setor, e tem como objetivo a análise contínua das bibliotecas e componentes de terceiros usados nos softwares em busca de vulnerabilidades conhecidas, antes que cheguem ao ambiente de produção e possam aumentar o risco. É esse tipo de prática, aplicada de forma contínua e não apenas pontual, que deve ser consolidada e adotada como padrão. 

 

Segurança da Empresa que opera essa solução: 

  • Controle de acesso e identidade: proteção de identidade, políticas de acesso baseadas em risco, autenticação multifator; 
  • Proteção de endpoints e infraestrutura: monitoramento contínuo, criptografia, gestão de vulnerabilidades, atualização de segurança; 
  • Continuidade e recuperação: políticas de backup, testes regulares de restauração, plano de resposta a incidentes; 
  • Governança e conformidade: programa de segurança da informação auditado, ciclo de certificação ISO 27001/27701,  
  • Treinamento e conscientização: Simulações de phishing, eventos sobre privacidade e segurança além de capacitação constante das equipes. 

 

Segurança como critério de escolha de fornecedor 

Segurança de dados no setor elétrico deixou de ser diferencial competitivo para se tornar critério de seleção de fornecedor. Quem concentra dados de múltiplos clientes em uma única operação precisa conseguir demonstrar, não apenas afirmar, como esses dados são protegidos, do primeiro ponto de coleta até o descarte. 

Se você opera ou seleciona plataformas que concentram dados de consumo de múltiplas unidades consumidoras, vale a conversa: como a arquitetura que sustenta essa operação foi pensada para isso desde o início. 

Essa é a lente com que construímos as soluções da Way2. Há mais de 20 anos desenvolvendo tecnologia para o setor elétrico brasileiro, atendemos distribuidoras e geradoras por meio do PIM e grandes consumidores, comercializadoras varejistas e gestoras por meio da Powerhub. Por isso, tratamos segurança como parte da arquitetura desde a concepção de cada solução, não como uma camada adicionada depois. Se você quer entender como isso funciona na prática na sua operação, fale com nossos especialistas.