O setor elétrico brasileiro vive uma virada: o P&D ANEEL deixou de ser obrigação regulatória para virar motor de inovação e produtividade. No novo formato do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, os projetos passaram a ser cobrados por resultado e inserção de mercado, não mais por cronograma cumprido. Neste artigo, mostramos como a Way2 transforma P&D ANEEL em produtos que já digitalizam a operação de distribuidoras, transmissoras, geradoras e comercializadoras, do combate às perdas não técnicas à abertura do mercado livre para o Grupo B.

Quando P&D deixou de ser obrigação e virou estratégia 

Por muito tempo, investir em pesquisa e desenvolvimento no setor elétrico brasileiro gerou projetos inovadores, mas que pouco contribuíam com a produtividade das empresas. Os agentes sempre cumpriram com a regra do percentual de investimento em pesquisa, mas em muitos casos o resultado eram projetos que ficavam na gaveta, sem conexão com o negócio e com pouca influência na operação das empresas. 

Esse cenário mudou drasticamente com a chegada do PEQuI e PROPDI. 

Com o programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da ANEEL em seu novo formato, a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) ganharam indicadores de resultado, metas de inserção de mercado e critérios que valorizam o ciclo completo da inovação: do problema à solução. Executar os projetos com foco apenas no cumprimento de cronograma deixou de ser suficiente. Hoje, quem investe em P&D precisa mostrar que o projeto é eficiente. 

Para quem já operava com a mentalidade de construir produtos e serviços antes da nova regulação, a mudança foi um reforço na estratégia. A Way2 é um exemplo disso. A equipe de inovação se desenvolve e cresce para resolver problemas que os produtos de prateleira ainda não resolviam, sempre em parceria com os agentes que operam os processos críticos de Distribuidoras, Transmissoras, Geradoras e Comercializadoras no dia a dia. Com os novos marcos regulatórios, o objetivo de construir produtos passou a ser medido e recompensado nos indicadores de PDI Aneel. 

O resultado mais evidente desse caminho está no portfólio atual. A empresa já lançou ao mercado alguns produtos que surgiram de projetos de P&D Aneel. Um exemplo é o Integraflow, resultado do programa de P&D que foi lançado em Julho de 2025, e que já é responsável pela digitalização do processo de migração para o mercado livre em mais de 40% das unidades consumidoras do Brasil. 

Produto e inovação como solução para um problema antigo: perdas não técnicas 

Tela do sistema Way2 exibindo dados do PDI da Cemig

Que as Distribuidoras sofrem com o problema de perdas não técnicas não é novidade para ninguém. Furtos de energia, defeitos em medidores, ligações clandestinas. Diversos projetos e produtos já foram pensados com o objetivo de identificar e combater este que é um desafio técnico e operacional enorme, com impacto direto na receita de empresas que operam com tarifas reguladas.

Tela do sistema Way2 para gestão do PDI

Um dos projetos em desenvolvimento da Way2 tem como escopo o desenvolvimento de quatro produtos voltados a diminuir o problema, e cada um deles propõe uma solução por uma ótica diferente. 

O primeiro é a Câmera Validadora, um aplicativo mobile que valida em tempo real as fotografias tiradas pelos técnicos de campo, garantindo qualidade técnica das imagens antes mesmo que o inspetor deixe o local. A grande entrega de valor é dar fim ao problema de registros inaproveitáveis feitos pelos profissionais e que só seriam descobertos horas depois ao chegar no escritório após o serviço de campo. A solução ajuda a evitar: (i) novos acionamentos para TOIs (Termo de Ocorrência e Inspeção) que já deveriam estar concluídos e (ii) eventuais perdas de processos por conta da qualidade técnica das evidências. 

O segundo produto é uma Plataforma Logística, que usa tecnologia RFID para rastrear os medidores com suspeita de fraude desde o momento em que são inseridos no invólucro até a chegada ao laboratório para testes. O objetivo é eliminar perdas de medidores, reduzir inconsistências no fluxo de transporte e trazer rastreabilidade e confiabilidade a uma cadeia que hoje opera com pouca visibilidade. 

A terceira solução é a Plataforma de Relatórios, que automatiza a geração dos laudos técnicos cruzando dados do TOI, do laboratório e do cadastro do cliente para produzir automaticamente o diagnóstico desejado pela Distribuidora: fraude, defeito ou medidor em condições normais de funcionamento. O que antes dependia de interpretação manual e algumas horas de análise, passa a ser gerado com consistência e em escala. É ganho de produtividade e redução de custos operacionais (Opex) para a Distribuidora. 

O quarto produto gerado por esse projeto de P&D é a Plataforma de Cobrança, que recebe o resultado do diagnóstico de fraude realizado pelo laboratório e identifica as variáveis de cálculo aplicáveis ao caso de cada cliente, seguindo os critérios estabelecidos pela regulação descrita na REN 1000. O encaminhamento regulatório, que antes exigia esforço manual de interpretação, passa a ser automatizado e auditável pela Distribuidora e representa maior possibilidade de recuperação de receita. 

Juntos, os quatro produtos cobrem boa parte do ciclo de identificação de fraudes e recuperação de receita: da foto registrada em campo até a cobrança embasada na regulação. Quando concluído, o projeto representa quatro entregas concretas para um dos maiores desafios operacionais das distribuidoras brasileiras: a capacidade de um time trabalhar em múltiplas frentes simultâneas para resolver um problema presente em todas as Distribuidoras: perdas não técnicas e recuperação de energia e receita. 

Quebrando o ciclo da dependência tecnológica de protocolos de comunicação 

Ainda no ramo da distribuição, o mercado de dispositivos de medição tem um problema estrutural que raramente aparece nos relatórios anuais das distribuidoras, mas que qualquer gestor de tecnologia conhece bem: a necessidade de um sistema interoperável e com níveis excelentes de estabilidade de operação. 

O desafio dos sistemas de medição são muitos, e em alguns casos podem ser oriundos de protocolos de comunicação pouco difundidos e que causam a necessidade de soluções com infraestrutura de comunicação e coleta de dados criativas e que não estejam atreladas a um grupo limitado de fabricantes de hardware. 

O projeto que cria a Plataforma de Gestão de Conectividade com Interoperabilidade e Cibersegurança para Dispositivos de Medição tem como objetivo criar uma solução que flexibilize os sistemas de medição das Distribuidoras. A proposta é a especificação de um protocolo de comunicação aberto aos fabricantes de hardware e que permita que as distribuidoras tenham sistemas avançados de infraestrutura de medição, com gerenciamento modular, escalável e interoperável. 

O resultado tem potencial de se tornar um padrão de mercado, contribuindo com a estrutura competitiva que suporta e provê soluções para o setor elétrico.

» Saiba mais sobre as soluções da Way2 para medição inteligente

Open energy e digitalização da abertura de mercado para o grupo B: desafio operacional e oportunidade estratégica 

Tela do sistema Way2 com dados do PDI da CESP

O setor elétrico brasileiro vive um momento único e que gera um leque de problemas e oportunidades. A abertura do mercado livre para consumidores do Grupo B, residências e pequenos negócios, é um dos maiores desafios em uma agenda regulatória em movimento. Com datas definidas e processos regulatórios em fase de lapidação, a dúvida de distribuidoras e comercializadoras passa a ser relacionada às soluções que o mercado ofertará para viabilizar a abertura. 

O Open Energy (saiba mais) é um conceito que garante transparência e amplia as oportunidades para toda a cadeia do setor elétrico, gerando diversidade e competitividade para o consumidor. Consumidores que optarem por compartilhar seus dados através da iniciativa poderão receber ofertas mais personalizadas e que se adequam à sua realidade. Agentes que se adaptarem mais rápido à nova realidade vão criar um diferencial competitivo e podem navegar melhor na abertura de mercado. 

As oportunidades de produto e solução são tão grandes quanto o tamanho do desafio de distribuidoras e comercializadoras. Nesse cenário, a Way2 desenvolve a segunda fase de um P&D Aneel com foco em gerar soluções para o mercado, em um movimento que a empresa lidera e defende desde a década passada. O projeto está sendo estruturado para oferecer às distribuidoras e comercializadoras um produto que garanta aderência à regulação, gestão de consentimento, comparação de produtos de energia e integração com a CCEE, além de ferramentas para gestão cadastral e contratual que podem gerar diferencial competitivo no novo ambiente varejista. 

» Acompanhe as consultas públicas da ANEEL que sustentam esse projeto 

» Saiba mais sobre o IntegralFlow 

Inovação na Way2 

A Way2 acredita que inovação no setor elétrico não termina quando o projeto é submetido à Aneel. O objetivo é cumprido quando o produto e mercado se encontram, gerando soluções eficientes que resolvem problemas da cadeia do setor elétrico. 

As soluções apresentadas neste artigo são parte do portfólio e representam a continuidade de uma trajetória construída com consistência ao longo de mais de duas décadas: tecnologia desenvolvida para problemas reais, com parceiros que operam infraestrutura crítica todos os dias, em um setor que está se reinventando enquanto opera. 

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