A crescente relevância do curtailment no setor elétrico brasileiro trouxe à tona não apenas discussões sobre seus impactos financeiros, mas também um ponto que por muito tempo ficou em segundo plano: a qualidade e a gestão dos dados associados às restrições de geração. Com a evolução regulatória recente, especialmente após a sanção da Lei 15.269 e as atualizações das rotinas operacionais do ONS (operador nacional do sistema), ficou evidente que não basta apenas acompanhar os cortes. É fundamental gerir, com profundidade e frequência diária, todos os dados que compõem esse processo.
Durante anos, o mercado concentrou seus esforços na mensuração das perdas financeiras. No entanto, à medida que os mecanismos de ressarcimento foram sendo estruturados, ficou claro que o valor efetivamente recuperado pelos agentes depende diretamente da qualidade dos dados utilizados no cálculo da geração de referência e da geração frustrada. Nesse cenário, a gestão de dados deixa de ser apenas uma atividade operacional e passa a ser uma estratégia importante de proteção de receita.
Um dos pontos centrais dessa discussão está na qualidade dos dados meteorológicos. Conforme estabelecido pelo ONS na NT-ONS DOP 0022/2025, nota técnica que reuni os principais conceitos de operação do SIN (sistema interligado nacional) destacando sobre operação e apuração dos excedentes de geração de energia. Os dados de vento e irradiância enviados em tempo real pelos agentes são fundamentais para o cálculo da geração de referência das usinas eólicas e fotovoltaicas. Esses dados alimentam curvas e funções de produtividade que determinam o quanto a usina deveria gerar em condições normais.
A regra é objetiva. Caso os dados meteorológicos sejam considerados inválidos ou apresentem comportamento inadequado, como valores congelados por seis minutos consecutivos dentro de um patamar semi-horário, a geração de referência daquela usina é zerada no período. Na prática, isso significa que mesmo havendo restrição, não haverá geração frustrada associada aquele intervalo, reduzindo diretamente o potencial de ressarcimento. Ou seja, dados ruins geram perda financeira.
Além do impacto imediato, existe um efeito estrutural importante. Os dados meteorológicos também são utilizados pelo ONS na construção e atualização das curvas de produtividade das usinas. Se a base de dados apresenta inconsistências ao longo do tempo, há o risco de degradação dessas curvas. Isso impacta o cálculo da geração de referência futura e pode gerar perdas recorrentes. Um problema de dados hoje pode comprometer o resultado por um longo período.
Outro ponto relevante é a perda da curva ou função de produtividade. Quando não há qualidade suficiente nos dados, o cálculo da geração de referência passa a utilizar critérios alternativos baseados em períodos anteriores. Esses métodos tendem a ser menos representativos do real potencial de geração da usina, o que pode levar à subestimação da geração de referência, dessa forma, a menores valores de ressarcimento.
A revisão 8 do módulo 5 do ONS, com código RO-AO.BR.13, apresenta novidades em relação a rotina operacional da apuração do Curtailment, vigente desde agosto de 2025, trouxe um avanço importante ao permitir a substituição de dados inválidos em ambiente de pós-operação. Essa mudança reforça a importância da gestão ativa dos dados, pois abre espaço para correções. No entanto, esse benefício só se concretiza quando os problemas são identificados rapidamente, o que exige acompanhamento diário.
É justamente nesse ponto que a gestão contínua se torna indispensável. Revisar dados históricos é importante, mas não resolve o problema sozinho. Sem monitoramento diário, os mesmos erros tendem a se repetir, criando um ciclo de perdas. A atuação preventiva, com identificação e correção rápida das inconsistências, é a forma mais eficiente de proteger o resultado.
Nesse contexto, soluções especializadas ganham protagonismo. A Way2 desenvolveu um serviço focado na gestão dos dados de curtailment estruturado para atuar de forma automatizada e contínua. A solução realiza a coleta diária dos dados disponibilizados pelo ONS, incluindo geração verificada, geração de referência e restrições entre outros dados, garantindo que as informações estejam sempre atualizadas.
Após a coleta, é realizada uma etapa de validação e comparação dos dados. Um dos principais pontos é a comparação entre os valores de geração verificada reportados pelo ONS e aqueles medidos pelo Sistema de Medição de Faturamento, que representa a fonte mais confiável para fins de contabilização. Divergências identificadas nessa etapa indicam potenciais inconsistências que podem ser contestadas.
Os dados meteorológicos também passam por análise, comparando os valores enviados ao ONS com medições de campo, como torres anemométricas ou estações solarimétricas. Essa comparação permite identificar diferenças que impactam diretamente a geração de referência, consequentemente, os valores de ressarcimento.
Essas análises são consolidadas em relatórios diários enviados ao cliente, com destaque para as divergências encontradas e os subsídios necessários para atuação. Considerando que o prazo de contestação é curto, essa agilidade faz diferença direta no resultado financeiro.
Além dos relatórios, a solução conta com dashboards que permitem uma visão clara do impacto do curtailment. É possível identificar as usinas mais afetadas, analisar a energia frustrada, acompanhar horas de restrição e visualizar estimativas de perdas e valores ressarcíveis. Também são apresentadas comparações entre curvas de produtividade, permitindo análises mais estratégicas.
Como evolução do serviço, a Way2 desenvolveu uma nova aba para acompanhamento das contestações, trazendo visibilidade sobre o status das análises realizadas pelo ONS. Isso permite ao cliente entender se as suas solicitações foram aceitas e acompanhar todo o ciclo de gestão com mais transparência.


Descubra como a Way2 pode transformar isso em ressarcimento
Em um cenário onde o curtailment tem impacto relevante para geradores renováveis, a gestão dos dados deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser um fator crítico para o resultado. Garantir qualidade, consistência e acompanhamento contínuo das informações é essencial para maximizar ressarcimentos e evitar perdas recorrentes.
Mais do que nunca, o acompanhamento diário dos dados de curtailment precisa fazer parte da rotina dos agentes. Não se trata apenas de monitorar, mas de atuar de forma estruturada para proteger receita e sustentar a operação no longo prazo.